<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913</id><updated>2012-02-12T23:13:25.692-02:00</updated><title type='text'>escritor de araque</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>11</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-27406016971896997</id><published>2011-03-30T17:06:00.002-03:00</published><updated>2011-03-30T17:20:04.880-03:00</updated><title type='text'>Goteira</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-H5fnLkic7xQ/TZOJ-F-v_OI/AAAAAAAAAP0/jGDJYS13AjI/s1600/baldes.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img #a98d76="" 6px="" border:="6" double #A98D76 height="268" src="http://1.bp.blogspot.com/-H5fnLkic7xQ/TZOJ-F-v_OI/AAAAAAAAAP0/jGDJYS13AjI/s400/baldes.bmp" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente eu tenho uma goteira.&lt;br /&gt;Ela apareceu na sala do meu apartamento. Não sei de onde veio, nem porque surgiu. A única coisa que notei foi que se transformou em uma poça o meu tapete. Eu tinha acabado de chegar do trabalho e estava cansado. Só tive saco de arrastar a alfombra e pegar uma vasilha para por no piso molhado, na direção do vazamento.&lt;br /&gt;Na cama, eu virava de um lado para o outro, mas o barulho das gotas pingando não me deixava dormir. Do teto para o chão, o som ecoava por toda a casa como se estivesse dentro do meu crânio.&lt;br /&gt;O ping ping era insuportável.&lt;br /&gt;Acordei no dia seguinte tentando esquecer a goteira, mas ela não me deixava. O balde estava cheio e eu tinha que derramar a água fora antes que uma nova poça fosse formada e alcançasse o sofá. “Estou atrasado, que merda! Maldita goteira!”.&lt;br /&gt;Cada esbarrão no balde fazia-me lembrar da aporrinhação: pega o pano, seca o chão, esvazia o balde; pega o pano, seca o chão, esvazia o balde. O pingar das gotas era constante, chegava a marcar o tempo. Ping... Ping... Ping... Ping...&lt;br /&gt;Os dias foram passando e a pingadeira, pouco a pouco, foi entranhando-se em minha vida. Eu não tropeçava mais no balde, nem me incomodava com o barulho da água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente eu tenho uma goteira.&lt;br /&gt;Fizesse chuva, fizesse sol, ela continuava marcando o meu tempo. Era uma companheira de verdade. O conta-gotas da minha sala já pertencia a minha rotina. A nossa sincronia era tão perfeita, que eu possuía baldes de tamanhos distintos dependendo do tempo que fosse ficar fora de casa. Cheguei até a comprar uns coloridos, combinando melhor com os móveis do ambiente. Todos com cores vivas: vermelho, azul, amarelo.&lt;br /&gt;Nos finais de semana, quando tinha tempo de curtir com prazer os meus hobbies, gostava de ler em minha confortável poltrona. E a cada pausa na leitura, apreciava a harmonia musical da goteira.&lt;br /&gt;O ping ping era relaxante.&lt;br /&gt;Enquanto antes eu não tinha tempo para resolver o “problema”, agora esgoto o meu tempo com ele. A goteira é querida, é amada. Ela ocupa um vazio que havia dentro do meu peito e eu nem suspeitava que existisse.&lt;br /&gt;Certa vez, chegando ao lar, um silêncio ensurdecedor invadiu os meus tímpanos. O balde estava vazio. Sua coloração viva morreu naquele instante. Ele tornou-se feio. A goteira, que o embelezava, não estava mais em seu lugar. Ela havia simplesmente sumido, secado.&lt;br /&gt;O ping ping deixou saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Imagem: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Baldes Coloridos&lt;/span&gt;, 2010. Filó Diniz &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;(*)&lt;/b&gt; Agradeço à minha prima, Anna Cecília Bonan, que me deu a oportunidade de trabalhar com a matéria-prima de seu conto e permitiu que eu o desenvolvesse à minha maneira.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-27406016971896997?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/27406016971896997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2011/03/goteira.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/27406016971896997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/27406016971896997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2011/03/goteira.html' title='Goteira'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-H5fnLkic7xQ/TZOJ-F-v_OI/AAAAAAAAAP0/jGDJYS13AjI/s72-c/baldes.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-8139010026306338675</id><published>2010-10-05T01:26:00.018-03:00</published><updated>2010-10-18T22:58:44.168-02:00</updated><title type='text'>(Sem) Destino</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/S5XUMHfdAEI/AAAAAAAAALM/eYRN1u-YTQw/s1600-h/bela+noiva+branca+2.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 20px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 250px; height: 250px; border: 1px solid #A98D76;" src="http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/S5XUMHfdAEI/AAAAAAAAALM/eYRN1u-YTQw/s320/bela+noiva+branca+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5446492629008973890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Alberto era casado, tinha três filhos, todos matriculados em colégio particular. Era um marido exemplar, um ótimo pai, ótimo filho, ótimo neto. Sempre estudou muito, tinha um excelente emprego, ganhava muito bem e viajava pelo mundo. França, Espanha, Itália, podia escolher qualquer destino. Certo dia, sem a ninguém avisar, arrumou as malas, apenas uma mochila, onde cabia o que importava - uma muda de roupa, uma &lt;span style="font-style:italic;"&gt;necessaire&lt;/span&gt;, um revolver 38 e um ipod. Pegou a chave do carro, que metodicamente deixava, todos os dias, em cima do aparador da sala, ao lado de sua carteira e seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;blackberry&lt;/span&gt;. Ele queria ir para longe, buscava algo diferente, não sabia exatamente o quê, mas procurava uma vida que ele não tinha. Essa era a certeza dele no momento em que trancou a porta da sala do seu &lt;span style="font-style:italic;"&gt;duplex&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ligou o som do carro, dirigiu em silêncio, um silêncio que lhe cortava a garganta, pois deixava pra trás o patrimônio que acumulou durante quase meio século. Uma perfeita construção, agora em decadência. Uma ruína erguida por ele próprio, por suas escolhas, todas bem feitas e bem pensadas. Talvez, até demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma noite quente, os relógios da Avenida Atlântica alternavam entre 30° e 23:55h. Alberto dirigia sem rumo e sem direção, como jamais havia feito antes. Ele passava pelas ruas da Zona Sul do Rio notando cada detalhe. Os quiosques da praia fechados, as putas de Copacabana em busca de trabalho, os bares de esquina já vazios, os fétidos caminhões de lixo circulando. A janela do seu carro emoldurava uma tela pintada de solidão, em cores desbotadas como um quadro de Hopper. Ele observava, através do pára-brisa do seu Volvo, o paradoxal cenário da cidade maravilhosa, na qual dividem o palco a beleza das paisagens e a miserável rotina dos mendigos pedindo esmola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu pelo aterro do Flamengo, onde nenhum carro transitava, somente o dele. Avistou, ainda de longe, um vulto branco atravessando a pista. Assustou-se e reduziu a velocidade para verificar o que era. Ao se aproximar do vulto, que agora já começava a tomar forma, freou o carro até parar. Nitidamente visualizou uma mulher de branco, de noiva. Não havia véu, nem grinalda. O vestido usado por ela não era decotado, mas deixava à mostra o seu colo. Sua alva pele era como leite e seus cabelos cor de vinho, ao escorrerem pelos ombros, contrastavam com a sua clara tez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alberto ficou encantado com a ruiva que mantinha a cabeça baixa e o rosto escondido atrás das duas mãos. Rapidamente, sem sequer girar a chave na ignição, ele saiu do carro e foi de encontro à mulher. Logo percebeu que ela chorava. Chorava tanto que tremia. Ele chegou perto e envolveu-a com os braços. O abraço foi retribuído por outro mais apertado, quase sincero. Sussurrando no ouvido da moça, perguntou baixinho “porque está aqui sozinha, isolada, e chorando?”. Ela respondeu entre soluços e lágrimas, “meu noivo não me amava e por isso não fui à igreja, o abandonei no altar”. E chorou mais, aos prantos repetia “nunca fui amada, nunca, por ninguém”, em uma atitude que o consternava e o excitava, num movimento conjunto e pulsante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não pode ficar aqui. Para aonde quer que eu te leve?”, perguntou o homem.&lt;br /&gt;“Para qualquer lugar”, respondeu enquanto enxugava o lindo rosto borrado de maquiagem.&lt;br /&gt;“Então, vamos até o meu barco”, decidiu ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles dirigiram-se até a Marina da Glória sem trocar uma palavra sequer. Ao mesmo tempo em que a estranha situação os silenciava, também os fazia pensar em coisas absurdas. Nesse momento, os pensamentos mais impuros já dominavam ambas as mentes confusas. Havia pouca luz, apenas a iluminação da Lua quase cheia, que atuava como cúmplice do desejo velado pelos dois. Ao estacionar, saíram do carro e se beijaram como adolescentes, a respiração ofegante revelava o tesão que o casal sentia. Enquanto tinha suas costas arranhadas, o homem apertava a pequena bunda da moça e lambia os bicos rosados dos seus peitos. Os seios da mulher cabiam perfeitamente na forma de concha que Alberto fazia com mãos ao apertá-los. Entre os beijos, que eram descontinuados pela respiração esbaforida, foram até o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;deck&lt;/span&gt;, na popa do barco, e começaram a trepar ali mesmo na varanda externa, ela apoiada sobre o corrimão de entrada e ele por trás. Os gemidos eram altos e acompanhavam a velocidade com que metia seu pau na boceta da noiva foragida. Entraram no pórtico interno esbarrando nos utensílios decorativos, que eram ignorados mesmo quando se quebravam ao cair no chão. Com vigor, ele forçava uma penetração cada vez mais profunda, fazendo a mulher de cabelos rubros gritar de dor e prazer ao mesmo tempo. De um lado para o outro, variavam a intensidade do sexo à medida que mudavam de posição. Ora mais, ora menos selvagem, treparam feito animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã chegou com uma brisa gelada após a última foda. O homem ficou recostado apreciando a serenidade na qual se encontrava a moça, que estava com o vestido semi-aberto sentada na outra extremidade da cama. Naquele instante, a única vontade de Alberto era permanecer parado, ali, o resto da vida contemplando a beleza da linda amante. Seu passado não tinha mais importância, sua história poderia ser apagada. As memórias dele não valiam mais nada quando comparadas às daquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tenho que ir, meu marido me espera”, disse a ruiva, levantando-se da cama num impulso.&lt;br /&gt;“Espere!”.&lt;br /&gt;“Não posso, tenho que ir”, insistiu ela.&lt;br /&gt;“Eu estou disposto a largar tudo por você. Minha mulher, meus filhos, minha família. Tudo!”.&lt;br /&gt;“Não acredito nisso... Essa noite não passou de uma aventura para nós. Um delírio! Nada disso é real!”.&lt;br /&gt;“O que você quer que eu faça pra te provar? Eu te amo! Isso é real!”.&lt;br /&gt;“Para de dizer essas coisas. Nenhum homem nunca me amou antes, não será você que irá me amar agora. Ainda mais depois de uma fantasia como essa”, disse ela chorando. “Você não vai me convencer. Vou embora!”.&lt;br /&gt;“Mas eu te amo...”, ele falou desolado, sabendo que não haveria como mudar a decisão da moça. Enquanto ela abotoava apressadamente o vestido branco, Alberto, de mãos atadas, angustiava-se com a certeza feminina do discurso que acabara de ouvir. À medida que os botões da roupa dela eram fechados, ele se sentia cada vez mais esmorecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um surto de desespero, Alberto pegou na mochila o seu 38 e descarregou os seis projéteis do tambor no peito de sua amada. Ao passo que atirava, sua angústia ia reduzindo até ele se dar conta do que realmente estava fazendo. Em estado de choque colocou o cano da arma na boca e ficou estático com o olhar fixo, pensando somente na tragédia que protagonizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noiva caiu desacordada sobre a cama com o vestido manchado de sangue e um brando sorriso estampado no rosto. Quando a primeira bala penetrou em seu coração, veio-lhe a certeza de ter sido amada por aquele homem. Ela morreu feliz, como jamais havia sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Tela: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Noiva ruiva&lt;/span&gt;. Autor desconhecido&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;(*)&lt;/span&gt; Créditos ao meu pai, Luiz Cesar Faro, e ao amigo Rodrigo Paes, que me ajudaram a lapidar este conto e tirá-lo da bruteza inicial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-8139010026306338675?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/8139010026306338675/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2010/10/sem-destino.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/8139010026306338675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/8139010026306338675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2010/10/sem-destino.html' title='(Sem) Destino'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/S5XUMHfdAEI/AAAAAAAAALM/eYRN1u-YTQw/s72-c/bela+noiva+branca+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-6675264422270696457</id><published>2010-04-02T22:27:00.006-03:00</published><updated>2010-10-05T19:07:23.055-03:00</updated><title type='text'>A festa (revisado)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/TKq7sO9Os5I/AAAAAAAAAOU/1AOypHgF6Ig/s1600/imagem.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:20px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 165px; height: 220px; border: 3px solid #A98D76" src="http://3.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/TKq7sO9Os5I/AAAAAAAAAOU/1AOypHgF6Ig/s200/imagem.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5524434261526885266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;- Olá, meu grande amigo. Como está?&lt;br /&gt;- Estou ansioso e preocupado.&lt;br /&gt;- Não é pra menos...&lt;br /&gt;- Vamos ao que interessa! Pensei bastante no assunto e estou querendo uma bela festa, pra ser lembrada por todos. Quero que chame gente do trabalho, da faculdade, do colégio, mas principalmente os amigos mais íntimos.&lt;br /&gt;- Um motivo para um reencontro de todos?&lt;br /&gt;- Exatamente, um motivo para um reencontro, mas não de todos. Alguns merecem o esquecimento. Às vezes penso que eu não passo de uma vaga lembrança na memória dos "velhos amigos", tipo poeira cósmica solta no espaço. Então, pra que convidá-los? Esses não precisam sequer ficar sabendo, pois acredito que seria indiferente.&lt;br /&gt;- Você possui o contato de todos que quer chamar?&lt;br /&gt;- Juntei a maioria. Tome a listagem. Se estiver faltando alguém, o Orkut se encarrega de achar para nós.&lt;br /&gt;- Orkut? Isso já está ultrapassado, meu velho amigo.&lt;br /&gt;- (Olhar de desleixo) MySpace, Facebook, Twitter. Use a inutilidade que quiser, mas tente achar as pessoas, por favor. Nesta lista contém quem há de mais importante.&lt;br /&gt;- Ok, ok. Não será difícil. Familiares?&lt;br /&gt;- Sim... Esses sempre estarão presentes, mesmo que eu não os convide. É inevitável. Família é um fardo que você carrega para o resto de sua vida. Ou a dívida é financeira ou é emocional, contudo, uma coisa é certa: ela é impagável.&lt;br /&gt;- E quanto à festa em si?&lt;br /&gt;- Você me conhece. Quero algo diferente do tradicional, alguma coisa que fuja aos padrões, justamente, por ser agradável.&lt;br /&gt;- Tipo o quê?&lt;br /&gt;- Uma recepção com canapés variados, queijos e pastas.&lt;br /&gt;- Patê, pastas de queijo, cebola...&lt;br /&gt;- Isso, diversas. Depois desses tira-gostos, gostaria que um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chef&lt;/span&gt; preparasse um almoço de qualidade.&lt;br /&gt;- Ninguém liga pra qualidade, meu velho. As pessoas querem comer qualquer porcaria e arrotar caviar. Sabes disso melhor que eu.&lt;br /&gt;- Quem sabe não aproveitam a oportunidade e aprendem a comer bem?&lt;br /&gt;- Você acha que alguém que acorda todo domingo e fica em pé no meio da rua pra almoçar aprenderia? As pessoas entram no restaurante após uma hora de fila, são atendidas com um servicinho de merda e pagam caro por isso. Pra piorar, depois de tudo, tem a cara de pau de dizer que o local é de qualidade e a comida, que é feita aos quilos e fica entregue às moscas, é excelente. Até recomendam! Você acha que essas pessoas aprenderiam?&lt;br /&gt;- Fodam-se as pessoas! (Pausa) Desculpe-me. A festa é minha e eu quero um almoço decente, pelo menos para os que apreciam uma boa comida.&lt;br /&gt;- Seria perda de tempo e de dinheiro, mas se você quer assim...&lt;br /&gt;- Eu te entendo. Porém, não quero ser conivente com esse tipo de atitude, com essa cegueira do cotidiano. Prefiro "perder" este tempo, que não me fará falta, para os poucos que valorizam coisas boas de verdade. Quanto ao dinheiro, eu tenho o bastante.&lt;br /&gt;- Admiro essa nobreza que habita em seu coração. Entretanto, não possuo tal virtude. Pois bem, qual será o cardápio?&lt;br /&gt;- Pensei em algumas opções, mas ainda estou na dúvida. Acho melhor consultar o Aloísio e o Arnaldo, da Casa da Suíça. Embora o primeiro seja tricolor e o segundo, vascaíno, não há melhores cultores da boa mesa no Rio de Janeiro. Além disso, eles são praticamente da família.&lt;br /&gt;- Está anotado.&lt;br /&gt;- O que interessa é que os pratos sejam bem feitos.&lt;br /&gt;- Vamos às bebidas?&lt;br /&gt;- As bebidas... A melhor parte! Festa sem álcool é igual a sexo sem boceta.&lt;br /&gt;- (Risos) O que quer que eu compre? Champagne?&lt;br /&gt;- Sirva champagne, whisky, cerveja... Enfim, sirva de tudo.&lt;br /&gt;- Contrato um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;barman&lt;/span&gt; para fazer coquetéis?&lt;br /&gt;- Nada disso, ai já é demais. Pode até ter mais opções, mas nada muito colorido. Isso é coisa de mocinha.&lt;br /&gt;- Algum vinho em especial?&lt;br /&gt;- Essa parte eu deixo por sua conta, pois você entende disso melhor que eu.&lt;br /&gt;- Deixa comigo.&lt;br /&gt;- Bem, acho que é isso.&lt;br /&gt;- Faltou a música... Vai querer banda ao vivo, DJ ou algo do tipo?&lt;br /&gt;- Não! Sem dança! Pode tocar Jazz, Blues e Tango, mas não quero nada muito alegre.&lt;br /&gt;- Compreendo.&lt;br /&gt;- Por favor, não esqueça de tocar música clássica no fim, terminando com Réquiem de Mozart.&lt;br /&gt;- Bom, muito bom. Será um grande evento...&lt;br /&gt;- Agora faça-me um favor. Traga-me um copo de Jack Daniel`s sem gelo e peça para o doutor desligar os aparelhos em 15 minutos.&lt;br /&gt;- Vou sentir saudades, meu amigo.&lt;br /&gt;- Eu espero não sentir nada. Uma última coisa: tome conta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;{&lt;/span&gt; Esse &lt;a href="http://www.insightnet.com.br/inteligencia/48/PDFs/08.pdf"&gt;conto&lt;/a&gt; foi publicado na edição n° 48 da revista &lt;a href="http://www.insightnet.com.br/inteligencia"&gt;Inteligência&lt;/a&gt;, em Março de 2010. &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;}&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-6675264422270696457?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/6675264422270696457/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2010/04/festa-revisado.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/6675264422270696457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/6675264422270696457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2010/04/festa-revisado.html' title='A festa (revisado)'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/TKq7sO9Os5I/AAAAAAAAAOU/1AOypHgF6Ig/s72-c/imagem.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-3696140189365985396</id><published>2009-09-23T20:52:00.006-03:00</published><updated>2009-09-23T21:01:43.250-03:00</updated><title type='text'>Transporte coletivo, universo particular</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SrgihoRvWiI/AAAAAAAAAKY/xq8KH7sgovA/s1600-h/4108+mangabeiras.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin: 30px auto -10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 256px; height: 232px; border: 6px double #A98D76 " src="http://4.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SrgihoRvWiI/AAAAAAAAAKY/xq8KH7sgovA/s320/4108+mangabeiras.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5384091315664280098" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Faço sinal, o motorista freia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei calmamente o abrir da porta, subi os degraus e me direcionei ao trocador, entregando-lhe uma nota de dois reais. Enquanto aguardava o troco e girava a roleta, observei com um leve movimento de pescoço a parte interna do ônibus, notando rapidamente a disposição dos passageiros presentes, que queriam apenas chegar a seus destinos. Percebi que havia alguns lugares vagos e fui me sentar, ainda guardando no bolso as moedas devolvidas. Escolhi um banco que estivesse duplamente desocupado e sentei-me no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;corredor&lt;/span&gt;, conforme eu fazia sempre. Como não havia ninguém no acento ao meu lado, coloquei ali a bolsa que carregava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O motorista segue seu itinerário. Eu permaneço sentado ao lado da minha mochila, observando as diversas cenas que são interrompidas pela moldura da janela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei a mim mesmo por que eu nunca escolhia sentar-me em um banco parcialmente ocupado. Mais que isso, me perguntei por que eu sempre escolhia sentar-me no lado oposto a janela. Local que, &lt;span style="font-style:italic;"&gt;a priori&lt;/span&gt;, seria menos agradável, na medida em que é menos fresco e tem menor visibilidade para a paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Olho para o lado e vejo duas crianças, de aproximadamente 10 anos, brigando por um lugar mais próximo ao vento.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela minha escolha parecia, portanto, uma decisão habitual e inocente. Porém, refletindo melhor, deduzi que não era uma arbitragem ingênua. O ato, que parecia ser contraditório, era astuto e calculado, pois sentando naquele banco - exatamente no &lt;span style="font-style:italic;"&gt;corredor &lt;/span&gt;- eu me localizava numa posição estratégica, onde a passagem para o acento da janela era praticamente impossibilitada para qualquer entrante. Assim, eu impedia de maneira "educada" que uma pessoa desconhecida dividisse o banco do ônibus comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a buscar em minha memória recente e relembrei dos movimentos que eu fizera minutos antes, quando uma senhora subiu as escadas e veio em minha direção à procura de um lugar para acomodar-se. Avistei-a e rapidamente desviei o olhar, fingindo não tê-la notado. Em um movimento quase involuntário, eu inibi aquela senhora a romper a barreira do silêncio e me pedir licença. Sutilmente, apenas forçando um desencontro, coibi a mulher. Era como um mecanismo de defesa, no qual eu constrangia o outro e ganhava o meu espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Em um movimento contínuo, abro minha mochila e pego um livro. Leio dois parágrafos, mas nada é fixado em minha mente. Paro de ler.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que eu não queria dividir meu acento? Seria vergonha, timidez? Medo? Seria instinto animal? Talvez estivesse preservando apenas a minha privacidade, que é de direito. Pode ser isso... Certa vez, no colégio, minha professora de História disse que, no estado de natureza pré-social, a lei do mais forte regia o mundo, pois o homem era lobo do homem. Ou seria este o bom selvagem? Não faz diferença, mas recordo que o problema maior era o surgimento da propriedade privada, que se fundou no dia que o primeiro &lt;span style="font-style:italic;"&gt;homo sapiens&lt;/span&gt; cercou seu pedaço de chão, seja por medo ou ganância, e impôs aos demais: "essa terra é minha".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dessa simples ação, surgiu o contrato social. Todos tem direito à vida e à liberdade, mas cada pessoa renuncia um pouco de sua liberdade em troca de uma vida digna, assegurada pelo Estado. Dessa forma, o governante se assemelha a um corpo político que cria leis conforme a vontade geral da sociedade. Tudo balela! Nada é garantido. Nós continuamos a ser conduzidos pela lei da maior força, mas agora representada pelo poder. Manda o suserano, manda o Clero, manda a nobreza, manda a burguesia, manda o detentor de capital. Manda aquele que senta primeiro no banco do ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Percebo que não vou conseguir ler e, automaticamente, guardo meu livro na mochila, que se encontra agora em meu colo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí está o erro. Não é porque eu tenho o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;poder&lt;/span&gt; de ter chegado antes nesse acento, que eu tenho o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;direito&lt;/span&gt; de apropriá-lo. Sim, o poder, nada de itálico! Afinal, eu posso coagir o outro a não se sentar, simplesmente fingindo estar desatento. Isso é poder. Pouco, mas é. Esse tipo de coisa, quando elevado a uma "esfera maior", é capaz de acarretar conflitos desastrosos. Brigas, mortes, guerras... Ok, estou exagerando, é só um acento de ônibus. Que viagem... O que eu deveria ter pensado desde o início é que este espaço é público, este transporte é coletivo. Ou seja, não posso cravar uma bandeira e sair dizendo para Deus e o mundo que é meu. Não posso eu, não pode você, não pode ninguém. Não pode! "Com licença". Um passageiro, que eu não tinha notado entrar no ônibus, interrompeu o meu pensamento e solicitou passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;O meu ponto havia chegado. Levanto-me, comprimento com a cabeça o rapaz que iria ocupar meu lugar e desço ajeitando a mochila nas costas. Atrasado, acelero o passo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Tela: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;4108 – Mangabeiras&lt;/span&gt;, 2008. &lt;a href="http://gustavoribas.wordpress.com/"&gt;Gustavo Ribas&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-3696140189365985396?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/3696140189365985396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/06/transporte-coletivo-universo-particular.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/3696140189365985396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/3696140189365985396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/06/transporte-coletivo-universo-particular.html' title='Transporte coletivo, &lt;br&gt;universo particular'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SrgihoRvWiI/AAAAAAAAAKY/xq8KH7sgovA/s72-c/4108+mangabeiras.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-2906150916300383604</id><published>2009-09-03T01:22:00.014-03:00</published><updated>2009-09-03T21:23:14.403-03:00</updated><title type='text'>A festa</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/Sp4H9B71AfI/AAAAAAAAAKQ/70veiXY-LOw/s1600-h/Banquete+Surreal+-+Gustavo+Saba+2005.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:20px auto -10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 256px; border: 3px solid #A98D76" src="http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/Sp4H9B71AfI/AAAAAAAAAKQ/70veiXY-LOw/s320/Banquete+Surreal+-+Gustavo+Saba+2005.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5376743750199738866" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;- Olá, meu grande amigo. Como está?&lt;br /&gt;- Estou ansioso e preocupado.&lt;br /&gt;- Não é pra menos...&lt;br /&gt;- Vamos ao que interessa! Pensei bastante no assunto e estou querendo uma bela festa, pra ser lembrada por todos. Quero que chame gente do trabalho, da faculdade, do colégio, mas principalmente os amigos mais íntimos.&lt;br /&gt;- Um motivo para um reencontro de todos?&lt;br /&gt;- Exatamente, um motivo para um reencontro, mas não de todos. Alguns merecem o esquecimento. Às vezes penso que eu não passo de uma vaga lembrança na memória dos "velhos amigos", tipo poeira cósmica solta no espaço. Então, pra que convidá-los? Esses não precisam sequer ficar sabendo, pois acredito que seria indiferente.&lt;br /&gt;- Você possui o contato de todos que quer chamar?&lt;br /&gt;- Juntei a maioria. Tome a listagem. Se estiver faltando alguém, o Orkut se encarrega de achar para nós.&lt;br /&gt;- Orkut? Isso já está ultrapassado, meu velho amigo.&lt;br /&gt;- (Olhar de desleixo) MySpace, Facebook, Twitter. Use a inutilidade que quiser, mas tente achar as pessoas, por favor. Nesta lista contém quem há de mais importante.&lt;br /&gt;- Ok, ok. Não será difícil. Familiares?&lt;br /&gt;- Sim... Esses sempre estarão presentes, mesmo que eu não os convide. É inevitável. Família é um fardo que você carrega para o resto de sua vida. Ou a dívida é financeira ou é emocional, contudo, uma coisa é certa: ela é impagável.&lt;br /&gt;- E quanto à festa em si?&lt;br /&gt;- Você me conhece. Quero algo bem conservador, mas nada tradicional. Alguma coisa que fuja aos padrões, justamente, por ser mais agradável.&lt;br /&gt;- Tipo o quê?&lt;br /&gt;- Uma recepção com canapés variados, queijos e pastas.&lt;br /&gt;- Patê, pastas de queijo, cebola...&lt;br /&gt;- Isso, diversas. Depois desses tira-gostos, gostaria que um &lt;span style="font-style:italic;"&gt;chef &lt;/span&gt;preparasse um almoço de alta qualidade.&lt;br /&gt;- Ninguém liga pra qualidade, meu velho. As pessoas querem comer qualquer porcaria e arrotar caviar. Sabes disso melhor que eu.&lt;br /&gt;- Quem sabe não aproveitam a oportunidade e aprendem um pouco de gastronomia?&lt;br /&gt;- Você acha que alguém que acorda todo domingo e fica em pé no meio da rua pra almoçar aprenderia? As pessoas entram no restaurante após uma hora de fila, são atendidas com um servicinho de merda e pagam caro por isso. Pra piorar, depois de tudo, tem a cara de pau de dizer que o local é de qualidade e a comida, que é feita aos quilos e fica entregue às moscas, é excelente. Até recomendam! Você acha que essas pessoas aprenderiam?&lt;br /&gt;- (Raiva) Fodam-se as pessoas! (Pausa) Desculpe-me. A festa é minha e eu quero um almoço decente, pelo menos, para os que apreciam uma boa culinária.&lt;br /&gt;- Seria perda de tempo e de dinheiro, mas se você quer assim...&lt;br /&gt;- Eu te entendo. Porém, não quero ser conivente com esse tipo de atitude, com essa anorexia gastronômica, com essa cegueira do cotidiano. Prefiro "perder" este tempo, que não me fará falta, para os poucos que valorizam coisas boas de verdade, do que alimentar esse mundinho de merda com um rodízio de pizza. Quanto ao dinheiro, eu tenho o bastante.&lt;br /&gt;- Admiro essa nobreza que habita em seu coração. Entretanto, não possuo tal virtude. Pois bem, qual será o cardápio?&lt;br /&gt;- Pensei em três opções. A primeira seria uma carne, escalopinhos finos à &lt;em&gt;Sibérienne&lt;/em&gt;, acompanhados com batata &lt;em&gt;roesti&lt;/em&gt;. A segunda, um peixe, linguado ou salmão à &lt;em&gt;Belle Meunière&lt;/em&gt;, com arroz de amêndoas. Pra completar, a terceira seria uma massa, um &lt;em&gt;fettuccine&lt;/em&gt; à bolonhesa ou aos quatro queijos. Alguma sugestão?&lt;br /&gt;- Acho que não. Só de ouvir, já me deu água na boca! Quem fará esses pratos?&lt;br /&gt;- Chame o Aloísio e o Arnaldo, da Casa da Suíça. Embora o primeiro seja tricolor e o segundo, vascaíno, não há melhores cozinheiros no Rio de Janeiro. Além disso, eles são praticamente da família.&lt;br /&gt;- Está anotado.&lt;br /&gt;- Ah! No &lt;em&gt;couvert&lt;/em&gt; de entrada, sirva &lt;em&gt;carpaccio&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;bruschetta&lt;/em&gt;. Deixe também um &lt;em&gt;consommé&lt;/em&gt; como opção.&lt;br /&gt;- Vamos às bebidas?&lt;br /&gt;- As bebidas... a melhor parte! Festa sem álcool é igual a sexo sem boceta.&lt;br /&gt;- (Risos) O que quer que eu compre? Champagne?&lt;br /&gt;- Champagne é essencial! Pelo menos, para o início da celebração.&lt;br /&gt;- O que mais?&lt;br /&gt;- Sirva champagne, whisky e cerveja durante a recepção; vinho tinto e branco durante o almoço; e, pra fechar, licores ao término.&lt;br /&gt;- Drinks, coquetéis?&lt;br /&gt;- Nada disso. Pode até ter mais opções no bar, mas nada muito colorido. Isso é coisa de mocinha. Não se esqueça de refrigerante e água, com e sem gas.&lt;br /&gt;- Claro. Sucos também?&lt;br /&gt;- Sim, sim. Quero sucos de frutas bem variadas.&lt;br /&gt;- Algum vinho em especial?&lt;br /&gt;- Essa parte eu deixo por sua conta, pois você entende disso melhor que eu. (Pausa) Quero licores de rótulos diversos, de Bailey`s à Tia Maria.&lt;br /&gt;- Sobremesas?&lt;br /&gt;- Apenas &lt;em&gt;petit gateau&lt;/em&gt;, mousse de chocolate, &lt;em&gt;cheesecake&lt;/em&gt; e frutas.&lt;br /&gt;- Nenhum doce português?&lt;br /&gt;- Pastel de Santa Clara.&lt;br /&gt;- Excelente!&lt;br /&gt;- Bem, acho que é isso.&lt;br /&gt;- Faltou a música...&lt;br /&gt;- Claro! Como eu pude esquecer. Pode tocar Jazz, Blues e Tango.&lt;br /&gt;- Nesta ordem?&lt;br /&gt;- Sim, nesta ordem, mas eu quero música clássica no fim, terminando com Réquiem de Mozart.&lt;br /&gt;- Bom, muito bom. Finalmente concluímos. Será um grande evento...&lt;br /&gt;- Agora faça-me um favor. Traga-me um copo de Jack Daniel`s sem gelo e peça para o doutor desligar os aparelhos em 15 minutos.&lt;br /&gt;- Vou sentir saudades, meu amigo.&lt;br /&gt;- Eu espero não sentir nada. Uma última coisa: tome conta dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Tela: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Banquete Surreal&lt;/span&gt;, 2005. &lt;a href="http://divinopintor.blogspot.com/"&gt;Gustavo Saba&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-2906150916300383604?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/2906150916300383604/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/09/festa.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/2906150916300383604'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/2906150916300383604'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/09/festa.html' title='A festa'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/Sp4H9B71AfI/AAAAAAAAAKQ/70veiXY-LOw/s72-c/Banquete+Surreal+-+Gustavo+Saba+2005.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-1841458778257508350</id><published>2009-07-07T23:50:00.000-03:00</published><updated>2009-07-13T13:38:19.568-03:00</updated><title type='text'>Amor sincero</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SlQfIANP4SI/AAAAAAAAAHo/j5RR7Dnu-TQ/s1600-h/Les+amants+-+Rene+Magritte.jpg"&gt;&lt;img style="float:; margin:20px 120px 10px 10px;text-align:center; cursor:pointer; cursor:hand;width: 256px; height: 187,2px; border: 6px solid #A98D76" src="http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SlQfIANP4SI/AAAAAAAAAHo/j5RR7Dnu-TQ/s320/Les+amants+-+Rene+Magritte.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5355940079205343522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu te amo.&lt;br /&gt;- Também.&lt;br /&gt;- Por que você sempre responde "também" e nunca diz que me ama?&lt;br /&gt;- Porque você sempre fala primeiro.&lt;br /&gt;- Então, fala primeiro agora...&lt;br /&gt;- Deixa disso! Já falei que também te amo.&lt;br /&gt;- Ai, ai. É sempre assim.&lt;br /&gt;- Sempre assim, não.&lt;br /&gt;- Sempre assim, sim!&lt;br /&gt;- Quer saber mesmo por que eu sempre digo "também"?&lt;br /&gt;- Quero...&lt;br /&gt;- Tudo bem. Eu nunca digo que te amo, porque eu não tenho certeza se te amo.&lt;br /&gt;- Mas você diz "também"...&lt;br /&gt;- É, pois eu sei que você está esperando uma resposta...&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- ... e eu fico sem graça de não dizer nada. Pra não ficar uma situação incômoda, um clima chato, eu digo que também te amo.&lt;br /&gt;- Mas...&lt;br /&gt;- Além disso, eu sei que eu te deixaria muito triste se não respondesse absolutamente nada. Então, digo "também", me isentando do silêncio e da culpa.&lt;br /&gt;- Mas... mas que verdadeiro, que belo. Me beija!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Tela: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Les amants&lt;/span&gt;, 1928. &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Ren%C3%A9_Magritte"&gt;René Magritte&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-1841458778257508350?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/1841458778257508350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/07/amor-sincero.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/1841458778257508350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/1841458778257508350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/07/amor-sincero.html' title='Amor sincero'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SlQfIANP4SI/AAAAAAAAAHo/j5RR7Dnu-TQ/s72-c/Les+amants+-+Rene+Magritte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-3200341847121442873</id><published>2009-05-22T01:13:00.044-03:00</published><updated>2009-07-12T19:14:28.935-03:00</updated><title type='text'>Postagem cansada</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://www.dailypaintworks.com/bioGordon.aspx"&gt;&lt;img style="float:right; margin:50px 40px 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 210px; height: 210px; border: 6px double #A98D76 " src="http://3.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/ShZOTKHiyMI/AAAAAAAAAGU/gm49oOK9zKQ/s320/Edward_Gordon-The_writer.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338540499334777026" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Penso. Escrevo. Leio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repenso.&lt;br /&gt;Reescrevo.&lt;br /&gt;Releio.&lt;br /&gt;Repenso,&lt;br /&gt;reescrevo, releio.&lt;br /&gt;Repenso,&lt;br /&gt;reescrevo, releio.&lt;br /&gt;Repenso, reescrevo, releio.&lt;br /&gt;- Cansei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Tela: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;The writer&lt;/span&gt;, 2009. &lt;a href="http://www.edwardbgordon.co.uk/Edward_B._Gordon/Home.html"&gt;Edward B. Gordon&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-3200341847121442873?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/3200341847121442873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/05/postagem-cansada.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/3200341847121442873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/3200341847121442873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/05/postagem-cansada.html' title='Postagem cansada'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/ShZOTKHiyMI/AAAAAAAAAGU/gm49oOK9zKQ/s72-c/Edward_Gordon-The_writer.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-8383518976524702618</id><published>2009-04-25T20:00:00.052-03:00</published><updated>2009-07-15T12:50:56.571-03:00</updated><title type='text'>Certezas do banho</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SjCIr2L3vAI/AAAAAAAAAHY/6D-B8e9Tr1c/s1600-h/lampada2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:20px auto 0px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 240px; height: 160px; border: 6px solid #A98D76" src="http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SjCIr2L3vAI/AAAAAAAAAHY/6D-B8e9Tr1c/s320/lampada2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345923044549835778" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Abri a torneira, a lâmpada se apagou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já é noite e eu não consigo ver direito nem os ladrilhos do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;box&lt;/span&gt;. Os feixes de luz, que são refratados pelo vidro sujo do basculante, permitem apenas que a silhueta dos objetos seja formada pela penumbra. Somente os tons de cinza e preto são captados pelos fotoreceptores da minha retina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo o motivo pelo qual a lâmpada parou de funcionar, mas como eu já estou nu debaixo do chuveiro, iniciarei meu banho. No escuro, enquanto me ensaboo, começo a refletir sobre o porquê da ausência de luz no meu banheiro. Percebo que não faltou luz, na medida em que está quente a água que cai do chuveiro elétrico e escorre pelo meu corpo. Com isso, resta apenas uma opção: a lâmpada tinha queimado. É óbvio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lâmpada incandescente com dois fios de cobre e um filamento, como aquela que estava apagada ali ao lado, foi desenvolvida por Thomas Edison em 1879. Logo, eu estava tomando meu banho como Edison tomava antes de sua espetacular invenção. Claro que não! Se o cara que produziu a primeira lâmpada do mundo tomava banho no escuro, ele era muito burro, diferentemente do que é esperado. Certamente os banhos dele eram com a iluminação de um lampião ou durante o dia, sob a luz do Sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto meus neurônios trabalham, continuo no devaneio do pensar... Seres humanos, que possuem o polegar opositor, podem chegar a conclusões utilizando apenas a cabeça, a lógica. No entanto, a certeza de que o raciocínio resultará em uma resposta aceitável está atrelada às premissas básicas do argumento. Sem essas proposições iniciais, ideias inteligíveis não poderiam ser criadas. Dessa forma, se questionarmos as "hipóteses verdadeiras", nenhuma cognição poderá ser feita, nada poderá ser inferido. Não haverá validade na argumentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, recomeço minha objeção a cerca da ausência de luz no meu banheiro. Será que a lâmpada queimou mesmo? Eu sei que sim, porque o chuveiro é elétrico e a água está quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas quem me garante que a água está quente? A única pessoa que pode afirmar isso sou eu, que estou sozinho nesse banheiro. E se, por algum motivo desconhecido por mim, o meu sistema sensorial estiver percebendo mal a temperatura das coisas? Aí, utilizando a razão, eu poderia até dizer que a água está fria, logo, faltou luz. Lógica pura e simples.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, partindo da premissa de que a água está fria, eu poderia dizer que a resistência do chuveiro queimou. Nesse caso, não posso afirmar, necessariamente, que faltou luz, pois quem me garante que está escuro? Imagine que os neurotransmissores, além de se comunicarem com o meu sistema sensorial, tem também uma relação direta com o meu sistema visual. Eu poderia, dessa maneira, estar vendo tudo escuro e sentindo a água quente, quando na verdade está tudo claro e a água gelada. Será que eu também estou com algum problema na vista?&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SibeQkRa1CI/AAAAAAAAAHM/6uSwzcc4EuQ/s1600-h/lampada_quebrada.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin: 30px 10px 0px 0px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 159px; height: 220px; border: 5px double #A98D76" src="http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SibeQkRa1CI/AAAAAAAAAHM/6uSwzcc4EuQ/s320/lampada_quebrada.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5343202384117683234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fecho e abro meus olhos. Tudo permanece escuro. Fecho de novo. Reabro-os. Agora tudo está iluminado. Eu posso observar os detalhes de cada shampu que se encontra no chão do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;box&lt;/span&gt;. Olho para cima e vejo a mancha úmida da infiltração no teto. A luz havia voltado? A lâmpada não estava queimada? Estou com problema na vista? Fudeu, e agora? Nunca saberei se a luz estava acesa ou apagada. Nunca saberei, nunca saberei! Nunca... Uma profunda angústia toma conta da minha alma. Sinto-me reduzido a minha insignificância dentro deste Universo em constante expansão. Deduzo que o meu saber não representa nada dentro da imensidão do cosmo. Quase choro repleto de certezas inconvenientes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enxugando minhas costas e olhando para o espelho, acostumo-me com a ideia de que existem perguntas que eu nunca saberei a resposta: "o ovo ou a galinha?", "o que havia antes do Big Bang?", "Deus existe?". Daqui pra frente, "a luz estava acesa?" será uma dessas incógnitas em minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já completamente seco, saio do banheiro enrolado em minha toalha com a certeza de que existem coisas que eu nunca terei certeza. Meu pensamento é interrompido pela voz da minha mulher: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;- Amor, temos que trocar o bocal desse banheiro. Ele tá com mau contato.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SjCLv9-vgBI/AAAAAAAAAHg/cclGYd6L_0U/s1600-h/lampada_e_papel.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin: 15px 0px 0px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 6,6666px; height: 4,73333px; border: 1px solid #A98D76" src="http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SjCLv9-vgBI/AAAAAAAAAHg/cclGYd6L_0U/s200/lampada_e_papel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345926413896613906" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Foto 1: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lâmpada de teto&lt;/span&gt;. Autor desconhecido &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Foto 2: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lâmpada explodindo&lt;/span&gt;. Autor desconhecido &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;[&lt;/span&gt; Desenho: &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lâmpada e papel&lt;/span&gt;. &lt;a href="http://img51.photobucket.com/albums/v157/hellskitchen/ilustracao/makingof01.jpg"&gt;Pedro "Fenris"&lt;/a&gt; &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;]&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-8383518976524702618?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/8383518976524702618/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/04/certezas-do-banho.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/8383518976524702618'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/8383518976524702618'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/04/certezas-do-banho.html' title='Certezas do banho'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SjCIr2L3vAI/AAAAAAAAAHY/6D-B8e9Tr1c/s72-c/lampada2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-1449809185106912529</id><published>2009-04-24T23:51:00.005-03:00</published><updated>2009-09-22T00:53:36.288-03:00</updated><title type='text'>Amigo oculto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ia ler um poema - um belo poema -, mas achei que seria pouco, talvez &lt;span style="font-style:italic;"&gt;superficial&lt;/span&gt;. Quis criar, então, algo meu, algo diferente, algo jamais lido em outra ocasião. Surgiu uma dificuldade: traduzir o significado de amizade não é como ler um dicionário, pois certamente cada um aqui tem uma percepção distinta do que é ser amigo. Pensei em contar duas histórias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira história é sobre um rapaz que não era um grande gênio, nem um exímeo estudioso, mas se destacou por ser um excelente profissional. Era visto como aquele que não falhava, pois qualquer ordem que lhe fosse dada era executada de forma incontestável. Até mesmo os comandos mais difíceis eram atendidos por ele sem reclamação, onde os objetivos eram cumpridos perfeitamente e dentro do prazo determinado. Já casado e com filhos, este homem reservado, até o momento cabo do Exército, começou a ganhar visibilidade e subiu de patente por se distinguir dos demais a sua volta. Seus conhecimentos e sua dedicação serviram de passaporte para a admissão ao cargo mais alto de seu departamento, ocupando uma chefia de grandiosa importância. Justamente por ser percebido como infalível em suas ações e extremamente competente em suas atividades, lhe foi dada a tarefa de resolver um grande problema de transporte, tão grande que prejudicava a sua Pátria. O problema, que até então não havia sido solucionado por ninguém, fora resolvido de maneira eficiente e inovadora, onde pouco se gastava. Este ilustre homem foi condecorado pelo Chefe de Estado de seu país e reconhecido por toda a sua Nação pela grande façanha que havia feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A outra história é sobre um pequeno garoto que viveu em um orfanato durante a sua infância e trabalhou como coadjuvante em peças de teatro. O florescer do seu talento veio com um personagem cômico de tablado, um pastelão clássico à moda antiga. A companhia em que este jovem atuava foi realizar apresentações na América e lá ele fora contratado por um modesto estúdio de cinema. No princípio não parecia se destacar, mas aos poucos foi ganhando seu espaço e conseguiu até a direção de um filme, o qual não foi nada espetacular, mas lhe abriu portas para a gravação de outras películas. Resolveu, então, criar um personagem caricato para protagonizar seus filmes. Enquanto os estúdios de cinema da época apontavam para os filmes coloridos e de ação, seus longas preto e branco e sem áudio iam se tornando conhecidos no Novo e no Velho Mundo. Intensamente, fez inúmeros trabalhos e chegou a criar seu próprio empreendimento. Porém, com seu crescente sucesso, vieram também as grandes polêmicas. Foi acusado de pedofilia por se relacionar com meninas muito mais jovens que ele. Chegou até a se casar com uma adolescente de 16 anos, se separar e se casar novamente com outra de 16. Outro grande escândalo surgiu quando uma namorada, de 22, foi à mídia pedindo o reconhecimento de um filho que ele dizia não ser seu. O pior momento foi quando o próprio governo dos Estados Unidos o acusou por atividades antiamericanas, pois seu posicionamento político, que era visivelmente transmitido em seus filmes, se mostrava ser contra o capitalismo. Foi deportado por suspeita de subversão e decidiu viver na Suiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas duas trajetórias de vida são bem distintas. Aparentemente, uma de sucesso absoluto e indiscutível; e outra de sucesso turbulento ou talvez até de fracasso, dependendo do modo de ver. Enfim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro personagem se chamava Karl Adolf Eichmann e ele ocupava a mais alta patente da Gestapo, polícia secreta da SS que era comandada pelo partido Nazista do Terceiro Reich de Hitler. O problema de logística pelo qual ele ficou responsável é chamado de “Solução Final” e foi um dos mais cruéis planos da História: o extermínio frio e calculado de milhares de judeus na Alemanha Nazista e o genocídio irracional nos campos de concentração. Eichmann, que é conhecido por ser o maior arquiteto do Holocausto visto durante a Segunda Guerra Mundial, desenvolveu e executou as formas mais desumanas e impensáveis de morte, gerando um sofrimento imensurável.&lt;br /&gt;Em 1961, foi julgado por crime contra a humanidade e condenado ao enforcamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo personagem se chamava Charles Spencer Chaplin Jr. e ele foi brilhante como ator, diretor, roteirista, músico, produtor e, acima de tudo, ser humano. Lembrado pelos seus esplendorosos longas-metragens, Chaplin é considerado o maior cineasta da História. Seu talento e criatividade transformavam cada filmagem sua em uma obra de arte. Com a simplicidade de seus gestos e feições, seu personagem "Carlitos" - conhecido também como Vagabundo - fazia transbordar alegria e felicidade nas almas de seus telespectadores. A posição política de esquerda de Charles Chaplin é evidenciada em sua crítica à exploração do trabalho do proletariado e a afronta ao governo nazista de Hitler.&lt;br /&gt;Em 1972 ganhou um prêmio especial da Academia e foi ovacionado e aplaudido de pé em uma das maiores aclamações do Oscar. Em 1975, ganhou o título de Sir pela Rainha Elizabeth. Faleceu na Suíça, aos 88 anos, ao lado de sua esposa, de 51.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até terminar as duas histórias, não sabia ao certo por que as estava escrevendo. Afinal, não havia uma relação direta de amizade nas narrativas lidas. No entanto, comecei a buscar nas entrelinhas a “moral da história”, o que poderia ser extraído de toda essa contradição. Achei algo... o Eichmann morreu enforcado numa prisão e sozinho; e o Chaplin morreu em casa ao lado de sua esposa, que era sua amiga. Mas isso era muito simples, era muito banal! Não era o que eu procurava, eu queria algo que representasse melhor o elo que existe entre amigos.&lt;br /&gt;Então, relendo, pude perceber que os textos falam sobre familiares, chefes, subordinados, mas não falam sobre nenhum amigo. &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Nem um&lt;/span&gt; amigo sequer. Percebi que os registros não se referem à amizade, mas ao caráter de cada um deles: enquanto um fazia coisas do &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mal&lt;/span&gt; sem objeções ou questionamentos, o outro criticava o &lt;span style="font-style:italic;"&gt;mal&lt;/span&gt;, buscando uma melhoria para o mundo. Era exatamente isso que eu buscava. Os amigos não precisam ser mencionados! O caráter de uma pessoa não está na dedicação, no empenho ou na intensidade com que faz suas tarefas, mas está nas suas atitudes e nas decisões que toma no curso de sua vida. E tais atitudes não são feitas dentro de uma cápsula, elas são feitas num grande sistema global; bem como são percebidas e analisadas pelas pessoas que te rodeiam e te cercam. O mais curioso é notar que seus amigos podem aprovar ou reprovar tais atitudes e, conseqüentemente, se aproximar ou se afastar de você.&lt;br /&gt;Fica claro, assim, que nossos amigos não são apenas caminhantes ao nosso lado, mas são o &lt;span style="font-weight:bold;"&gt;espelho do nosso caráter&lt;/span&gt;; e que no decorrer de nossa história acumulamos experiências conjuntas, que são vividas tanto por nós quanto por eles. Ou seja, eles não precisavam ser citados nessas pequenas biografias. Eles já estão ali! Estão tão presentes nas palavras agora lidas e ouvidas, quanto estes formandos - aqui ao meu lado - estão presentes neste teatro, neste palco.&lt;br /&gt;Para os que acreditam em destino ou para os céticos da coincidência, isso me faz lembrar um verso do próprio Chaplin, que eu ia ler nesse discurso:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;“(...) Cada pessoa que passa em nossa vida,&lt;br /&gt;passa sozinha, e não nos deixa só, porque deixa um&lt;br /&gt;pouco de si e leva um pouquinho de nós.&lt;br /&gt;Essa é a mais bela responsabilidade da vida e a&lt;br /&gt;prova de que as pessoas não se encontram&lt;br /&gt;por acaso.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Este foi o meu discurso de formatura]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-1449809185106912529?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/04/amigo-oculto.html' title='Amigo oculto'/><link rel='enclosure' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/04/amigo-oculto.html' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/1449809185106912529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/04/eu-ia-ler-um-poema-um-belo-poema-mas.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/1449809185106912529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/1449809185106912529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2009/04/eu-ia-ler-um-poema-um-belo-poema-mas.html' title='Amigo oculto'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-1228391185245389746</id><published>2008-11-15T21:56:00.007-02:00</published><updated>2009-06-02T23:57:34.073-03:00</updated><title type='text'>Capela 7</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali estava eu, deparado àquele corpo coberto com flores brancas e amarelas. Sentia o cheiro característico de velório, que irritava o meu nariz e empesteava toda a capela 7.&lt;br /&gt;Da janela para o caixão eu andava, pra lá e pra cá. Da janela via todo o cemitério e imaginava todas as famílias que haviam passado por ali. Desde as mais ricas que possuíam os jazigos mais extravagantes até as mais modestas. Todas com o mesmo sentimento de perda, de vazio. Uma sutil sensação de que a pessoa, que se despede  ali deitada, se tornara &lt;span style="font-style: italic;"&gt;apenas&lt;/span&gt; uma lembrança, um filme, uma fotografia.&lt;br /&gt;Enquanto caminhava para o caixão, reparava o ambiente que me cercava com 13 coroas de flores  - que custam entre R$ 500,00 e R$ 1.500,00 cada, na floricultura do Cemitério São João Batista - dadas por familiares próximos, distantes, amigos de infância, de trabalho e pessoas sem importância nenhuma na vida dela. Ao mesmo tempo, recebia as condolências de diversas pessoas que nunca havia visto antes. Uns realmente muito sensibilizados com o falecimento, o resto fazendo o papel de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nobres &lt;/span&gt;cristãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meus pêsames. Ela tinha um coração muito puro.&lt;br /&gt;- Sim. Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, meu filho. Deus irá cuidar muito bem dela.&lt;br /&gt;- Sim. Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não dá pra acreditar que uma pessoa tão boa vai-se embora! Céus!&lt;br /&gt;- Sim. Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notei que muitos choravam. Eu não. Só conseguia pensar em toda hipocrisia que me cercava. Pessoas que passaram a vida falando mal dela, agora estavam aqui presentes como se tivessem grandes laços de amizade. Um bando de duascaras que estavam do lado na hora de pedir, mas nunca na hora de oferecer.&lt;br /&gt;Me aproximei dos meus irmãos. Aninha e Fred não se aguentavam em pé de tanto que choravam. Minha tia os consolava.&lt;br /&gt;Fui até a cantina para comprar uma água. Esperando o troco, me dei conta que desde que fiquei sabendo de sua morte não tive nenhuma vontade de chorar. Comecei a me questionar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Por que eu não estou chorando? Ela é minha mãe também. Ainda não deve ter caído a ficha. Daqui a pouco, quando vedarem o caixão, eu vou começar a chorar que nem os meus irmãos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei à capela 7 com a garrafa d`água na mão e ofereci aos meus irmãos. Ao vê-los soluçar, continuei a pensar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Será que eles estão sentindo mais que eu a perda da mamãe? Eu estou sentindo a perda dela? Por que não estaria? Afinal, ela é a minha mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O padre chegou para iniciar a última prece e após bonitas palavras, que provavelmente devem ser ditas em todos os funerais, concluiu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco,&lt;br /&gt;E bendita sois vós entre as mulheres e&lt;br /&gt;bendito é o fruto de nosso ventre, Jesus.&lt;br /&gt;Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores,&lt;br /&gt;agora e na hora de nossa morte.&lt;br /&gt;Amém."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Sempre achei que todo esse cerimonial de padres, rezas e preces poderia ser descartado. Eu tinha a impressão de que as pessoas só deixam de ser pecadoras nesses momentos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;difíceis&lt;/span&gt;. Duvido que elas rezem antes de dormir ou a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cada pão nosso&lt;/span&gt;. Mas minha mãe gostava dessa baboseira toda.&lt;br /&gt;Finda a reza, o caixão foi selado. Neste momento, quem ainda não havia chorado começou. Menos eu.&lt;br /&gt;Cada familiar pegou em um apoio do caixão para levá-lo ao local do enterro, um jazigo nada modesto. No caminho eu pensava:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- O que as pessoas devem estar pensando de mim? Eu sou o filho mais velho e não estou chorando. Nem pareço sentir a morte da minha própria mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembranças vieram à tona. Discussões tolas, decisões irracionais, opiniões díspares. Apenas momentos ruins surgiam em minha mente. Castigos de infância, brigas sem razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Por qual motivo eu deveria amar a minha mãe? Por qual motivo? Preciso de apenas um.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a buscar em minhas memórias mais distantes algo que me confortasse, que me fizesse crer que eu amava a minha mãe. Nada surgia. Mesmo assim, eu insistia e continuava uma incessante busca de lembranças. De nada adiantava, pois mais coisas ruins brotavam em minha cabeça. Eu não queria acreditar, mas começava a perceber que a minha mãe e eu não tínhamos nada em comum um com o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Na verdade, eu não a amava. Eu sequer gostava dela. Pelo contrário, eu odiava ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caixão foi entregue aos coveiros, que o pinçaram e começaram a descê-lo em direção à cova já aberta. À medida que o defunto ia descendo, eu percebia que fazia parte de toda aquela hipocrisia que rodeava a sepultura. Tudo aquilo que eu questionava veemente minutos antes agora estava concentrado em minha alma. Notei que eu era, provavelmente, o mais hipócrita de todos os presentes. Eu pertencia àquela corja como hiena ao seu bando.&lt;br /&gt;A madeira tocou o fundo do túmulo. A terra era jogada sobre o caixão. Uma pá de cada vez. Um sorriso se formou em meu rosto. Um sentimento de alegria ecoou em meu peito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Não dá pra acreditar, mas eu estou feliz com a morte da minha mãe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa e encostei-me na cama. Com um retrato da minha mãe nas mãos, passei a noite em claro. Chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-1228391185245389746?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/1228391185245389746/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2008/11/capela-7.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/1228391185245389746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/1228391185245389746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2008/11/capela-7.html' title='Capela 7'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7842561199861079913.post-7667230235965174163</id><published>2008-11-10T02:03:00.003-02:00</published><updated>2009-07-13T12:55:51.644-03:00</updated><title type='text'>Apresentação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu objetivo é escrever um livro. Só que existe uma barreira entre mim e o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;meu &lt;/span&gt;livro: eu ainda não sei escrever. Criando este blog tentarei escrever contos para praticar e entender como funciona a ciência da escrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de tudo, apresento-me. Com 23 anos, sou residente da cidade que foi capital do Estado da Rio de Janeiro até a construção de Brasília, quando o Rio deixou de ser capital do país. Niterói, que é conhecida também como Terra de Araribóia, possui vícios de cidade pequena e oportunidades de cidade grade.&lt;br /&gt;Sou formado em Engenharia de Produção na UFF e tenho interesse por Economia e Finanças. Dessa forma, pode-se ter uma ideia de que não faço o tipo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;escritor&lt;/span&gt;. No entanto, após o término do curso de Engenharia, vi que, por mais contraditório que pareça, a visão objetiva e direta abre a sua cabeça, e não o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Meu objetivo não é ter um blog de sucesso ou ficar famoso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pretendo escrever &lt;span style="font-style:italic;"&gt;pelo menos&lt;/span&gt; uma postagem por mês, mas eu estar dizendo isso não quer dizer absolutamente nada. Afinal, tenho a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;habilidade &lt;/span&gt;de planejar estratégias perfeitas para a minha vida e não executá-las, sem ficar nem um pouco preocupado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito prazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7842561199861079913-7667230235965174163?l=escritordearaque.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2008/11/apresentacao.html' title='Apresentação'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://escritordearaque.blogspot.com/feeds/7667230235965174163/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2008/11/apresentacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/7667230235965174163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7842561199861079913/posts/default/7667230235965174163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://escritordearaque.blogspot.com/2008/11/apresentacao.html' title='Apresentação'/><author><name>João Pedro Faro</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04287985243070974349</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_gheXEBNTdfA/SdlOsX_19UI/AAAAAAAAAE8/bFLI0QIVIjc/S220/spd.fotologs%5B2%5D.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
